quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Com Tradição

Ser tradicional
Implica em respeitar padrões
Implico com isso
Tenho tradição
Mas busco reciclagem
Sou uma mulher
Com tradição
Trago bagagem
Dentro dela história
Mas a necessidade de ser leve vem
Me livro então do peso
e traduzo a tradição
em liberdade
Sigo pela estrada
No sentido oposto
Com tradição

Mulher Farta

Estou farta de ser
farta
Seios fartos
Quadris fartos
Alma farta
A fartura assusta
Poucas pessoas sabem lidar com ela
Eu mesma não sei
Em alguns momentos
quero me dividir
Peço por miúdeza
Sonho em ser mignon
Mas tenho que aceitar minha fartura
E ela tem seus encantos
Não posso negar
Encarando a minha fartura
Me assumo
Sem pudor
Fartamente feliz
Fatalmente farta

Estalo

Tudo vem assim
De estalo
Quebrando tudo
Quebrando barreiras
Chutando as portas
Invadindo
Tomando posse
Quando vejo
Já é
Estalo os dedos
e como num passe de mágica
Tudo se transforma
Estalo os dedos
Como se fosse mergulhar no piano
Estalo os pés
E corro em direção à vida
Instalo o programa
Estalo o ínicio
Foi dada a largada
Comigo é assim
De estalo

Nova Mente

Sempre vem
Não se pode estagnar
Ela invade
Com novos conceitos
novos valores
novas visões
Nova mente
Restaurada, reciclada
Pronta para novas referências
Intacta
Quase zero
único dono
Pronta pra pegar a estrada
Novamente

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Equilíbrio

Aprendiz e mestre
Troca constante
Conhecimento recíproco
Gangorra
Um sustenta o outro
Mas existe o ponto
O ponto de equilíbrio
A fresta onde se encontram
A fusão
Então o todo assume posição
E a eterna aprendizagem continua
Até o momento em que a fresta se abre
E assim sucessivamente
Em movimentos constantes e periódicos
é o ciclo
O conhecimento

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Vã Filosofia

Divago
Deixo que minha mente teça suas tramas
Crio, invento, junto os pedaços
Não deixe nada no ar
Eu completo
Qualquer reticência me tenta
Quando vejo lá está o ponto final
As soluções
As peças que faltam
Odeio lacunas
Complete a frase
Mesmo que a realidade não corresponda
Acredito na minha vã filosofia
E ligo os pontos

domingo, 9 de dezembro de 2007

Fique com o Troco

Ele é seu
Pode ficar
Fique com o troco
Em troca de sua atenção
Em troca de sua boa vontade
Receba o seu merecimento
Não peço nada em troca
Apenas deixo que você garanta o seu
Todas as suas ações
Merecem um trocado
Obrigada pela preferência
Volte sempre
E não esqueça
O troco é seu

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Uma Vida Sem Inverno

Sei que todos necessitam
Primavera,outono,inverno,Verão
Meus dias quentes indo
Mas peço
Uma vida sem inverno
Me sentir chocar
na quentura do tempo
Na força do espaço
Brotando
Germinando
Sempre sol
Tudo tem sua função
Mas eu funciono quente
Pra mim peço
Uma vida sem inverno
Com gelo e limão



Ansiedade Mórbida

Aquilo que nunca acontece
Aquele que nunca chega
O momento que nunca se conclui
A oportunidade que voa ao lado
Espera infinda
A eterna ampulheta espalha seu pó e espelha a minha espera
Círculo vicioso
Unhas roídas e copos vazios
Retratam a ânsia
Idade chegando
Me dá um tempo
É só o que eu preciso
Tempo
Vento na cara
Sorriso nos lábios
Até que esperar não dói
Tanto


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Invisível

Sei que existe
Existe a força
Mesmo invisível
Algo nos une
Algo comanda
Transforma e assiste
Sei que existe
Não posso explicar
Natural química
Poder conquistar
Poder dominar
Poder

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Nudez

Eu possuo as palavras
Mas também sou possuída por elas
Quem carrega essa dádiva
tem obrigações
Nunca deixar passar nenhum sentimento
em branco
Só no branco do papel
Nunca deixar escapar nenhum pensamento vago
Nenhuma palavra é à toa
Nenhuma palavra é por acaso
Toda palavra é sagrada
E consagrada por quem tem a coragem de registrá-la
É preciso sim coragem
Pois essa exposição desnuda a alma
E é assim, nua
Que registro
O que me passa pelos sentidos


Lava-Jato

A nuvem se forma em mim
E o temporal de palavras desaba
Chuva de letras
É como me sinto
Enxarcada de idéias
Completamente envolvida por essa água
Palavras escorrendo
Algumas vão pelo ralo
outras consigo resgatar
E publicar em mim
E depois da chuva, o que fica?
A alma lavada

Tela de Memórias

Ouço restos de músicas
Pedaços soltos
Memórias inconstantes
Sempre presentes
Como se meus olhos projetassem
Minha história
na tela da vida
A edição é veloz
Não dá tempo de reconhecer tudo
Só sentir
Só lembrar

Dores e amores
Vitórias e fracassos
Minha vida projetada
diante de mim
Me assisto
Me insisto

Dúvida x Certeza

Pior que estar repleto de dúvidas
é estar sufocado de certezas
As certezas entopem
as dúvidas ampliam
Nós necessitamos da dúvida
para continuar buscando
A certeza cega
A dúvida atiça
Peço pela dúvida
Impeço a certeza

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Alvo

Objetivo, meta
Sei que tenho que acertar
Sou uma atiradora de elite
O alvo é certeiro
Concentração de todas as energias para atingir
chegar no ponto exato
matemático
foco
Mira precisa
Distância programada
Estou perto
Vou cravar a seta
Sinto o ritmo e a velocidade
O caminho
A rota
A chegada

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Névoa

Tem dias em que me sinto escura
Cinza
Como se envolta em algo que me lembra névoa
Que desnorteia meus pensamentos
E me faz sentir o solo
íngreme, corrosivo e movediço
Aonde me movimento
Mas não saio do lugar
Aonde me debato
Mas não causo efeito
Aonde nada se explica e tudo é
Tem dias que me desnorteiam e tornam-se noites
Sem que eu perceba, sem que eu faça nada
Nada posso fazer
Esse é um desses dias
Amanhã é outro

domingo, 25 de novembro de 2007

Espelho Mágico

Me vi
Refletida em você
Como nunca havia me percebido
Sem questionamentos inúteis
Me vi viva
efervecente, pulsante
O reflexo que você me proporcionou
Me faz criar, me faz ser
Você conhece o seu dom
Jamais serei a mesma
Serei a
mesma
Que nunca soube que era
Até você
Me mostrar

Re-volta

Respeito tudo que grita em mim
Tudo que me faz tremer
Tudo que ecoa
É isso
Bate e volta
Faz sentido
Bumerangue de energia
Os gritos fazem acordar
Despertam o cômodo
Incomodar é se fazer ver
Eu grito
sem abrir a boca
O escândalo mudo causa mais estrago
Eu trago
Re-volta

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ego em pó

Ele está em todos os lugares
Está em todos nós
Mas agora chegou o revolucionário
Ego em pó
Concentrado
Você leva no bolso
Carrega na alma
Sua companhia nas noites solitárias
Auto-estímulo
Contra indicado em quadros de carência crônica
E o melhor
Você pode soprar
Partículas de ego no ar
Dissolvidas no tempo e no espaço
Longe de você

Seja feita a nossa vontade

Vontade, desejo primordial
Impulso que nos leva a criar, realizar...
Tornar concreto, o que antes era simplesmente vontade.
A vontade é simples, vital, sem ela nada somos
Somos seres que desejam, cheios de vontades,
Que essa fonte nunca seque,
Que o rio da vontade continue correndo em nossas veias
Sempre e cada vez mais
Esse é o meu desejo
Essa é a minha vontade
E ela será feita

sábado, 10 de novembro de 2007

Destino

Faço destas mal traçadas linhas
instrumento para falar
das bem traçadas linhas
construidas por ele
Arquiteto sábio
que constrói o edifício
Revela o caminho
Nos tira do labirinto que nós mesmos construímos
Ele conhece todos os pontos
Os pontos de encontro
Os pontos de fuga
Os pontos de vista
Os pontos finais

Palavras

Amar é fazer música
Quero soltar palavras
corrente elétrica
sintonia
fluxo
ligação
elo
Palavras que expressam o que eu sinto
Não consigo parar
O cinza é mais nítido, os cheiros, as sensações
Tudo brilha
Tudo é em si
Tudo é luz
Tudo é

A tradução é escassa perto da totalidade do sentimento
Tudo é amor

Preciso

Marca de um momento
Desenho pontual
Preciso coração
Preciso amor
Precisa a luz que nos envolve e ilumina o caminho
Agora posso ver
Precisa Visão
O descanso não é preciso
A bateria carregou
Download completo

segunda-feira, 5 de novembro de 2007



Meu Perfil

Disparada

Eu queria sair, mas estou presa à caneta
Ela praticamente vai sozinha
Num ritmo desse, quase mediúnico
Eu não tenho o direito de interromper
Vou é romper com meus rompantes verbais
As barreiras que me afastam de mim
Meu muro caiu
A boiada de sentimentos e pensamentos disparou,
Touro indomável
Enxurrada
Que churros nada!
Um pensamento culinário entrou na área proibida,
mas já está tudo sob controle.
Sobrou um espaço
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Pavio

Minhas palavras registram meus sentimentos
Meu carrossel interior de emoções
Para que as pessoas se sintam um pouco mais normais
Ou tão malucas quanto eu.
Que alguns se identifiquem, outros condenem
Meu papel é esse
Botar fogo na boca do estômago e no coração de cada um
Depois da leitura, no mínimo um sonrisal
No máximo camisa de força
Incediando o pavio mais encravado
Explodo em você sentimentos

Carência Zero

Mais uma vez saí sem freios,
Acreditei na ficção, perdi a mim mesma.
Momentos de prazer ilusório,
Dor sem fim, dor que me enlouquece.
Solidão que transborda e inunda a minha vida, me sufoca.
Preciso respirar
Preciso de alguém pra mim
Pra mais uma vez acelerar sem freios,
Entrar nas veias de acesso
Penetrar o caminho mais profundo
Transfusão de amor
Preciso urgente
Será que o meu plano cobre?

Devia existir um plano que cobrisse decepções amorosas
Garantia possível
Uma rede protetora para nossas acrobacias sentimentais
Saltos não tão mortais assim
Eu não estaria tão no chão
Sem carência!

Ventre Vago

Borrão de lágrima sempre mancha
Não sai
Permanece úmido
Seca o coração
Exposição de fotos de dentro,
Radiografias do meu eu,
Do meu eterno, do meu fundo...
Escrevo para exorcizar meus Lucifers,
Eles explodem no papel, encarcerados,
Prisão Perpétua
Perpetuando minha dor,
Meu coração é absolvido
Minhas entranhas livres
para receber novas referências
Ventre Vago,
Vagas para moços de fino trato.
Aluguel barato, em conta
Conta comigo os dias que faltam fecundar pra que eu dê a luz à minha vida.

Primeira Parada

Meu problema é parar pra pensar,
Sempre que eu paro pra pensar, eu paro.
Pra pensar em quê?
Por quê?
Já estou parada, pensando...
Não quero parar,
Nem pra pensar,
Nem pra chorar,
Nem pra escrever.
Parei.

Surto-Circuito

Surtar ou não surtar?
Eis a questão
Eu vivo surtando, surtando...
Às vezes passa um tempo e levo um surto
Circuito do curto interrompido
Tento de tudo para saber que rumo tomar
Qual a metáfora mais sincera para meus surtos?
Eu surto efeito em alguém, não é possível...
Não surtada sigo em frente
Surtada sigo, enfrente
Quem se habilita?