quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Decolar

Tudo é troca
A troca inspira a ação
Agir
Quando tudo para
Corra por fora
Quando estagnar
Não estrague o impulso
Persista
Pegue o embalo
Bata as asas
Atrofiadas na retaguarda
Decole
Descole o peso dos pés
Transforme chumbo em pluma
Simplesmente voe
Tudo passará

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Paixão Padrão

Buscamos uma paixão padrão
Pura ilusão
Cada paixão possui os seus sintomas
Suas manias
Seus compassos e descompassos
Cada paixão tem o seu ritmo
Suas necessidades
Sua dose de loucura
Sua dose de álcool
Ela não quer virar amor
Ela é o que é
Não busca promoção
Busca ferver
Cada qual tem seu ponto de ebulição
Cada paixão é única
Pessoal e intransferível

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Descoberta

Seu olho me decifra
Busco uma saída
Não me quero exposta
Eu não sou sua resposta
Sou sua questão
Inverto o jogo e me preservo
Enquanto é tempo
Enquanto há tempo
Me cubro de certezas
Você me descobre com suas abstrações
Meus argumentos se dissolvem
Me descubra

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Nada a declarar

Hoje dei de cara com o nada
Frente a frente encarei
Me joguei no abismo
Nada a declarar
Além de declarações de amor
Submersas no vácuo
Fragmentos flutuantes de sentimentos concretos
Que insistem em existir
Permanecem tatuados
Sob a pele
Quem disse que o nada é oco?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Meta de Luz

A metade da lua
Ilumina o caminho
Clarão de prata
Meia luz
A metade que brilha
A metade que esconde
A metade que fala
A metade que cala
A lua que só mostra a metade
Clareia a meta que traço
Traço exato
A metade da lua me mostra inteira
Andando na beira
Do todo de mim

Sufoco

Me esforço pelo foco
Aguço a visão
Fotometro e miro
Parece que sim
O foco me desfalca
Desaparece e estou vaga
Pairando pela liberdade de ser desfocada
Sendo intensamente múltipla
Intencionalmente diversa e divertida
Invertida
Sempre fui meio oposta
O foco me sufoca
Enforca as possibilidades de não ser uma
Luto para ser mais
Ser muitas
Ser tantas

Carnavaleiros

A fantasia é a máscara
Ilude e esconde
Também embeleza
Distrai a realidade
Brinca com o discreto concreto que insiste em existir
Alongamos o olhar e a fantasia emerge
Como uma ilusão de ótica
Mascaramos o real
Lúdicos seguimos
Vestidos de sonho

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Inconstante Movimento

Inconstante
Em constante mutação embalo a vida
Furacão e brisa
Nem sempre em harmonia
Contrasto meus dias
Por vezes derrubando fronteiras
Outras atropelando amores
Convivo com o paradoxo
Médica e monstra
Mostro o que sou
Maré revolta
Volto à calmaria
E me encontro em duas
Ou mais
Não me cobre coerência

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Vôo Livre

Quando percebi
Tudo estava acabado
As ruínas rodeavam meu presente
Resposta de um passado rachado
O que era sólido virou líquido
Virou fumaça
Evaporou
Desapareceu
Perder o chão
Me fez voar

Uma Sombra

Passo pelo mundo ao redor
Na ponta dos pés
No ponto dos is
Não me deixo perceber
Quando quero
Uma sombra
Quando quero
Um sopro
Uma sombra protege
Um sopro refresca
Quando quero
Sopro a sombra
E volto a mim

Detalhada

Caminho pela vida
Olhos abertos
Atentos
Observo como respiro
Cada detalhe revela
O detalhe expõe o todo
Nele está a essência
Criei uma certa dependência de detalhes
Preciso deles
Sem as suas minúcias o nada impera
Assim vivo
Detalhadamente

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Salgado

Sinto o gosto na língua
O sal da dor
Inunda
Rosto rio
Elas brotam e deixam o seu sabor
Salgado
Tempero da vida
Alimento da alma
Quando elas invadem coroam sentimentos
Verdades úmidas
Expostas a olho nú
Rompendo a barreira do pudor
Deixando o fluxo do sentimento correr
Escorrer

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Balaio de Letras

Me encontro num balaio de letras
Nele estou e nele me acho
Vou pescando letras
Formando palavras
Juntando os pedaços
Sorteando a letra que vai dar a pista
Do que eu sou
Do que eu estou
A partir dela tudo surge
Tudo sangra
A palavra

A frase se forma
E me expõe
Juntando as letras
Me encontro
Me leio

Insônia Crônica

Passo por isso
Noites e dias
Sou insone
Sempre alerta
Fritando em pensamentos
Mente inquieta
Pensando em tudo
Resolvendo nada
Queimando possibilidades
Virando de um lado pra outro
Escrava do raciocínio
Me deixo levar
Pelas imagens que invadem minhas noites, meus dias
Embalam minha insônia
Ninam minha razão
Passo por isso
Peço por isso

Processo

Esperar não esperar
Viver o momento
O pra sempre é hoje
Sem falsas
Nem verdadeiras expectativas
Apenas realizar suas metas
Viver o processo
Saboreando cada passo
Sem pensar no que virá
Sem buscar o amanhã
Recebendo o hoje como prêmio
Merecido retorno do ontem
Hoje e sempre

sábado, 5 de janeiro de 2008

Cria Dor

Criação
Necessidade de todos
Criar o que pulsa em nós
Criar Ação
Crio meu universo e vivo
Verso vivo
A criação é esperta
Somos instrumentos dela
Sou sua cria ativa
E me coloco à sua disposição
Ela cria como quem respira
Inspira e solta
Cria mundos
Cria sonhos
Cria dor

Santa Palavra

Palavras que salvam
Ainda há tempo
Santas palavras que inflamam e acalmam
Que rasgam tímpanos, papéis, telas....
Palavras que dançam e seduzem
Rodopiam e nos trazem de volta
Ou nos levam além
Entregue sua alma
Liberte suas letras
Perpetue sua mente
Só mente sã
Só corpo são
Palavras infinitas
Dízimo: o que sentes
É só começar
Páragrafo primeiro
Sua salvação

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Auto Escola

Eu sou minha própria aluna
Me aprendo
E muitas vezes me reprovo
São muitas matérias conflitantes
Nem todas prendem a minha atenção
Mas ainda assim continuo
Não falto
Me faço presente
E aceito as provas
A múltipla escolha confunde
Por isso disserto
Só as palavras salvam
E expressam minhas respostas
Sou meu rascunho
Um dia me formo em mim


Mistério Presente

O que seria da surpresa
se não fosse o mistério?
Existem coisas que precisam ser decifradas
Decodificadas pela alma
Lidas pelo espírito
A seu tempo
No momento exato
O mistério tem prazo de validade
Mas não desaparece nunca
Logo surge um novo em seu lugar
Um após o outro
Eles vem e vão
Mas sempre presentes
Nada ocupa o seu espaço
Eles tem cadeira cativa
Cativando a nossa surpresa
Presenteando a nossa dúvida

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Parto do Princípio

Sinto como se todos os dias fossem o primeiro
O ínicio da nova vida, novas promessas
Acordo, abro os olhos e vejo o novo
O novo me convida
E assim me entrego
Deixo fluir
Vou com a correnteza
Só assim posso viver
Sendo nova
Sendo inédita
Nascendo todos os dias
Me auto parindo diariamente
Abrindo os olhos
Vendo